O diálogo entre Literatura e Psicanálise remonta o nascimento da Psicanálise quando Freud utiliza-se de obras literárias e mitos que foram fundamentais para a teorização de seus principais conceitos. Um exemplo de destaque é a tragédia Édipo Rei, de Sófocles, que referência um dos conceitos fundamentais para a clínica psicanalítica “O Complexo de Édipo”. E Lacan ao retornar teoricamente a Freud, igualmente dialoga com a literatura em seus seminários e escritos, utilizando textos como Antígona, Hamlet, os contos de Edgar Allan Poe, entre outros textos que foram importantes para a interlocução com a clínica psicanalítica.
A aposta da psicanálise na literatura enquanto um saber, se releva que nela encontramos os dramas da humanidade e nos proporciona um encontro com nós mesmos, cada personagem, enredo, sentimentos, reflexões, afloram o que há de mais humano dentro de nós. A literatura é, ao mesmo tempo, simples e complexa: ela abarca a experiência humana, preserva o singular e revela a riqueza do vivido, expondo sentimentos profundos que nos comovem — ou até mesmo nos causam repulsa.
A literatura, especialmente os clássicos, se apresentam em suas narrativas através de um furo, um vazio, uma questão é revelada e está que conduz toda história, sem garantia de um final feliz ou quem dirá de um final posto pelo autor. Assim o leitor se encontra com o Real e é impulsionado a fazer alguma coisa com isso. O que em uma análise não é diferente, o sujeito através da sua fala constrói junto ao analista sua narrativa em torno da falta e aprende a fazer algo a partir disso. Sendo notável que a falta está posta em ambos os processos.
Diante disso, o grupo “Literatura e Psicanálise” propõem-se a promover uma interlocução entre obras literárias e conceitos fundamentais da psicanálise — como inconsciente, desejo, culpa, memória, trauma, entre outros. Através dessa abordagem, nos permitiremos abordar conteúdos simbólicos e culturais que são essenciais à formação do psicanalista e ao aprofundamento da escuta clínica. Afinal, literatura e psicanálise se encontram através da palavra, e é por meio dela que se revelam as verdades mais íntimas do sujeito.
