Psicanálise e cinema - Bugonia (2025) Yorgos Lanthimos
Quem conhece algum dos filmes do cineasta grego Yorgos Lanthimos, como “Pobres Criaturas” (2023) ou “Dente Canino” (2009), sabe que o cinema que ele cultiva é insólito. Situações, conceitos, comportamentos improváveis, constituem as sequências que compõem o filme, não necessariamente encadeadas. Mas cujo sentido revela-se no conjunto. “Bugonia”, em especial, é um filme bem estruturado e organizado dentro desse caráter insólito. Ao mesmo tempo em que nos provoca e nos deixa confusos e perdidos em relação ao que se passa, fica muito claro qual seja sua pauta. A história da CEO de uma grande empresa que é sequestrada por dois personagens estranhos que acreditam, firmemente, que ela é uma alienígena, nos remete a teorias da conspiração, fake news, crenças fanáticas e mirabolantes, mas também à sensação de finitude da humanidade no planeta Terra. De maluca esta questão não tem nada. De fato, estamos cavando nosso fim e isso é assustador. As abelhas, que estão sendo exterminadas, são um elemento central dessa história e ocupam um papel importante na trama de destruição a que estamos submetidos. Será pura incompetência dos humanos ou envolveria ações decisivas vindas de fora do planeta?
