Psicanálise e Racismo: clínica, transferência e necr0polít1ca
A psicanálise não acontece fora da história. Ela escuta sujeitos que falam a partir de posições marcadas por raça, classe, gênero e pela violência do laço social. Neste encontro, propomos uma articulação rigorosa entre a obra Tornar-se negro, da psicanalista brasileira Neusa Santos Souza, e o conceito de necropolítica, do filosofo camaronês Achille Mbembe, para pensar como o racismo estrutura modos de subjetivação e atravessa diretamente a clínica psicanalítica.
Partimos da tese de que o racismo não se apresenta na clínica apenas como tema ou conteúdo, mas como operador silencioso da transferência, incidindo sobre o Ideal de Eu, o corpo, o gozo e a própria possibilidade de reconhecimento do sofrimento. Ao colocar em diálogo psicanálise e teoria política, visamos abordar questões fundamentais para a prática clínica contemporânea:
• Como o Ideal de Eu branco produz feridas narcísicas estruturais?
• De que modo a necropolítica incide sobre o psiquismo e o corpo do sujeito negro?
• O que se joga na transferência quando o analista ocupa, mesmo involuntariamente, o lugar do Outro que nega, exotiza ou silencia a experiência racial?
• Quais são os riscos éticos de uma clínica que universaliza o sofrimento e apaga suas determinações históricas?
