Psicanálise Lacaniana: formalizações, grafos e esquemas
Lacan, grande leitor de Freud, ao avançar nos estudos psicanalíticos, utilizou diversos saberes para a condução de seu ensino. Aproximou-se da linguística, filosofia, antropologia, literatura e da matemática. Assim, em seu ensino, encontramos a esquematização de alguns conceitos e suas relações sob a forma de grafos, esquemas e topologias. Um dos grafos fundamentais do ensino lacaniano, situado na chamada primeira clínica, é o Grafo do Desejo. Nele, é possível visualizar uma sessão de análise, a constituição do sujeito e as estruturas da neurose, psicose e perversão.
Para o analista, o grafo torna-se um suporte para o estudo da psicanálise e para as articulações possíveis diante dos conceitos nele contidos. Considerando a função do analista em uma sessão de análise, no final do grafo encontramos uma pergunta que aponta para o que há de mais valioso para o sujeito e que será dirigida ao analisando diante de suas questões: Che vuoi? Que queres? Essa será a pergunta do analista desde a condução das entrevistas preliminares para a formulação de uma questão de análise, sendo mantida ao longo de todo o processo analítico.
Para ilustrarmos a relação dialética entre os pontos, vértices e arestas, escolhemos a articulação possível em uma sessão de análise. Para isso, utilizaremos a literatura e o teatro de Nelson Rodrigues, tomando sua peça “Otto Lara Rezende... Bonitinha, mas Ordinária” e destacando o personagem Edgar como nosso analisando.
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